Pavilhão na Expo Shangai Revestido de Fibras Naturais

O Pavilhão da Espanha na Expo Shangai 2010 é um grande exemplo de aplicação de técnicas ecoeficientes de Iluminação Natural e Uso de Materiais Naturais. O projeto foi desenvolvido pelo renomado escritório internacional de arquitetura Enrique Miralles e Benedetta Tagliabue, com colaboração do Arquiteto Rafael Loschiavo, fundador e coordenador do escritório de arquitetura sustentável paulistano Ecoeficientes.

Esse projeto tem como proposta de integrar técnicas construtivas e mão de obra espanhola e chinesa. Como resultado surgiu uma ampla fachada de painéis de fibras, trançadas a mão. Uma técnica presente na história dos dois países.

Tamanha foi a inovação ao usar técnicas antigas em uma nova aplicação que o projeto foi premiado como Melhor Arquitetura do Futuro no World Architecture Festival.

O Pavilhão, localizado na margem do rio Huangpu, é um dos maiores da Expo Shangai, junto com o da França, Inglaterra, Alemanha e Itália, tendo uma superfície útil de mais de 7.500 m2, edificados sobre uma parcela de 6.000 m2. Além dos espaços destinados a abrigar conteúdos expositivos, o pavilhão comporta instalações para celebrar atos e recepções oficiais, um auditório com capacidade para 150 pessoas, sala multiusos equipada com tradução simultanea, uma sala de imprensa com estúdio para emissões audiovisuais e um espaço de apoio as empresas espanholas com salas de reuniões e escritórios.

A estrutura desenhada se caracteriza por uma complexa curvatura que exige um sistema estrutural adequado e que sirva de suporte a forma livre. A solução consiste em uma malha espacial de elementos de aço tubulares que formam fachadas capazes de suportar diversas cargas -peso próprio , sobrecargas, forças sísmicas e do vento.

Seu desenho, feito para a exposição universal de Shangai de 2010, pretende ser um reflexo do clima espanhol e recuperar uma parte extraordinária artesiana reinventando-o como uma nova técnica construtiva. Em contraposição com a avançada construção da estrutura tubular metálica, os painéis de mimbre, que servem de revestimento da fachada, são de uma fabricação mais simples e até ancestral. As técnicas da “cestería” consiste em um trabalho manual com fibras vegetais e é uma tradição global pertencente a todas as culturas em todos os tempos. Ainda que com variações específicas segundo as regiões, utiliza-se quase que da mesma forma no Oriente e no Ocidente. Os painéis são formados por um trançado de mimbre, tensionado sobre marcos de tubos metálicos retangulares, ligeiramente deformados, que provocam uma curvatura nos painéis.

Nesse sentido, a escolha do material do pavilhão serve para criar uma ponte entre as duas culturas, a espanhola e a chinesa. Os painéis são construídos por artesãos locais da região de Shandong (nordeste da China). O mimbre, além de criar uma incrível atmosfera de luz fazendo com que a forte luz do exterior entre no interior minimizada pelas malhas espaciais, também introduz um fator ecológico e sustentável que está presente em todo edifício. Com este simples método, introduzindo novas técnicas tradicionais milenares, atingiu um resultado de surpreendente expressividade aplicada a um moderno edifício do século XXI.

Redação Ecoeficientes

 

 

 

Deixe seu comentário: