Vencedores do Concurso Fazenda Vertical da Avenida Paulista

 

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Com as cidades, a relação entre produção agrícola e espaço construído se torna elemento fundamental social, e na história da humanidade – e consequentemente na história da arquitetura – esta relação é muito forte.

Atualmente percebemos que, cada vez mais, a relação acima citada se torna tênue, já que com o aumento das cidades a busca por recursos é cada vez maior, e os produtos necessitam viajar distâncias cada vez mais longas para alimentar as necessidades dos citadinos.

Segundo Despommier*2, é necessária uma área de cultivo equivalente ao território do Brasil para que se possa alimentar a população mundial. Mesmo partindo do pressuposto que toda esta área seja usada para a agricultura, esta safra não está totalmente garantida, pois ainda está sujeita à ação do clima, solo e agentes externos. Se incluirmos nesta equação o percentual de alimentos que estragam durante o transporte (estudos indicam que nos Estados Unidos um produto agrícola é manuseado 33 vezes antes de chegar ao consumidor*3), teremos ainda menos alimentos disponíveis. Uma alternativa para esta situação é a edificação de fazendas verticais em ambientes controlados dentro dos centros urbanos.

Apesar de podermos contar na mão o número de fazendas verticais que estão em uso hoje, estas já oferecem dados relevantes sobre suas vantagens. Alguns dos pontos elencados são: possibilidade de produção de alimentos durante todo o ano; custo de operação equivalente a 25% de uma fazenda tradicional; custos mínimos de logística para distribuição dos produtos; sabor fresco que gera maior aceitação no mercado; produção até 12 vezes maior que a de uma fazenda tradicional. Aliado a estas vantagens, existe também a possibilidade de, com fazendas verticais em funcionamento, as terras anteriormente cultivadas possam ser replantadas com espécies nativas, diminuindo assim o impacto de nossa pegada ecológica.

Quanto maior a dimensão do centro urbano, maiores os problemas decorrentes do cultivo tradicional de alimentos. Um exemplo notável no Brasil é a grande São Paulo, o maior centro urbano da América Latina, que atualmente ocupa a nona posição no ranking das regiões metropolitanas mais populosas do mundo, com aproximados 20 milhões de habitantes*4.

Um centro urbano com escalas monumentais, como São Paulo, enfrenta muitos problemas de logística para realizar a entrega de alimentos com qualidade*5. Estes problemas afetam a qualidade do produto durante o trajeto, fazendo com que grande parte dos alimentos não seja aproveitada nas gôndolas dos mercados. Os supermercados de São Paulo descartam certa de 13 milhões de toneladas de alimento por ano, e as feiras livres jogam fora mais de mil toneladas de frutas, legumes e verduras por dia*6.

Localizada no coração de São Paulo, a Av. Paulista é considerada um símbolo da verticalização deste gigantesco centro urbano e do seu imenso poder de consumo. Com mais de um século de história, é conhecida como “a mais Paulista das Avenidas”, e concentra edifícios icônicos construídos a partir da década de 1950, que substituíram as mansões que até então ocupavam as margens de uma das mais movimentadas avenidas do país atualmente *7.

Com este cenário em vista, a proposta do Concurso 006 da Projetar.org é que os estudantes projetem uma fazenda vertical na Av. Paulista, centro pulsante de São Paulo, por onde 1,5 milhão de pessoas transitam todos os dias*8.

* KHATOUNIAN, C. Armenio. A reconstrução ecológica da agricultura (2001), apud NAKANO, Camila e MARCON, Guilherme. Fundamentos Arquitetônicos: Fazenda Vertical. Simpósio de Sustentabilidade e Contemporaneidade nas Ciências Sociais, Cascavel: FAG, 2014.

*2 DESPOMMIER, Dickson. The Vertical Farm (2010).

*3 SUPERINTERESSANTE. Comida é o que não falta.

*4 WORLDATLAS. Largest Cities of the World (by metro population).

*5 WORLDATLAS. Largest Cities of the World (by metro population).

*6 INSTITUTO AKATU. A nutrição e o consumo consciente.

*7 PREFEITURA DE SÃO PAULO

*8 VEJASP. Avenida Paulista: doze curiosidades.

 

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