Entrevista com as Fundadoras da La Naranja Orgânica

Durante o mês de agosto visitamos o espaço de ensino “La Naranja Orgânica” localizado nos arredores de Barcelona.

Tivemos a oportunidade de participar do Curso de PDC ( Permaculture Design Course ), ministrado pelo Skye, um grande mestre de Permacultura australiano.

O curso teve aulas teóricas, conferências online com outros profissionais e um projeto prático final onde os participantes se organizavam em grupos, desenhavam e discutiam com especialistas um sistema de permacultura para um determinado local.

Convidamos uma das fundadoras do espaço para explicar mais sobre sua história e suas idéias.

Confira abaixo a entrevista:

 

Redação Ecoeficientes – Fale um pouco da história das pessoas envolvidas e como surgiu a idéia inicial?

Bruna – A idéia surgiu a partir de uma necessidade de (re)aprender a vida em contato com a natureza e viver mais devagar quando eu, Bruna Angrisani e Mayra Poitena saímos da grande São Paulo, deixando nossos trabalhos(eu como jornalista e ela como veterinária) em busca dessa nova realidade e decidimos morar no Parque de Collserola, na montanha de Barcelona. Do dia para a noite tínhamos uma parcela de terra para cultivar, muitos animais vivendo ao redor e quase nenhum conhecimento do que fazer com essa abundância que o mundo natural proporciona. A única certeza que tínhamos é que a nossa horta tinha que ser “orgânica”. A partir daí começamos uma busca de conhecimento pela internet e conhecemos a Permacultura, na ocasião não tínhamos tempo para participar de cursos porque trabalhávamos às vezes de finais de semana. Através dessa busca percebemos que não era tão fácil, há 3 anos atrás, o acesso à informação às pessoas que decidiam sair da cidade e retornar ao campo e que não havia tantas experiências documentadas de quem já havia realizado essa transição. Decidimos então criar um blog aberto para registrar nossas experiências, compartilhar descobertas e oferecer um espaço a quem estivesse disposto a fazer o mesmo desde qualquer lugar do mundo. Assim criamos “La Naranja Orgánica”, que ontem foi um blog, mas hoje é um projeto social e educativo que promove a Permacultura e o empoderamento humano através de cursos, encontros e colaborações em feiras eco-sustentáveis locais.

 

RE – Quais são as principais atividades desenvolvidas?

Bruna – Facilitamos cursos de Permacultura, introdução à horta orgânica, terapias naturais (com pessoas e animais) e oferecemos o espaço para projetos que se relacionem com o empoderamento humano e com o retorno à vida em contato com a natureza.

RE – Como ve a situação da permacultura na sua zona de atuação na atualidade ( Barcelona )

Bruna – Acredito que a crise financeira está sendo uma grande oportunidade para esta região e a Permacultura já é uma ferramenta cada vez mais praticada por aqui. Muita gente está regressando ao campo ou criando grupos de autogestão e hortas comunitárias, inclusive na cidade, para garantir o acesso à alimentação. Os grupos ainda são pequenos, mas são muitos. Acredito que estes são pilares e sinais de uma mudança silenciosa que já está acontecendo.

 

RE – No seu ponto de vista, qual seria a principal solução alternativa da permacultura para as grandes metrópoles?

Bruna – São muitas as técnicas e ferramentas que podem ser utilizadas na metrópole, e sempre, depende de qual metrópole estamos falando, porque cada uma dispõe de recursos e realidades diferentes. Mas se tenho que escolher uma, diria o sistema de hortas e agrofloresta (medicinais, alimentícias e ornamentais) comunitárias. Desta forma a alimentação e a saúde, principais fontes de vida humana, estariam garantidas, e as grandes metrópoles seriam menos cinzas e muito mais bonitas. Não estamos falando de utopia, já existem cidades assim ou que estão iniciando uma transição.( http://www.transitionnetwork.org/)

 

RE –  Como podemos mudar o pensamento das pessoas em geral para fazer-los praticar mais permacultura em suas casas?

Bruna – Acredito que essa prática deve nascer de dentro e tem relação com o amor próprio porque se trata da sobrevivência de nossa espécie e de nossos descendentes. Algo que pode ajudar é compartilhar ao máximo as informações acerca da realidade atual humana. Somos completamente dependentes de combustíveis fósseis (petróleo, carvão, gás) que já estão em seus anos finais no planeta e não sabemos, em geral, cultivar o nosso próprio alimento, a “gasolina” da espécie humana. Quem souber utilizar as técnicas para garantir essa autogestão sofrerá menos esse impacto inevitável que enfrentaremos como sociedade nos próximos anos. Todas as investigações, estudos e estatísticas a respeito dessa situação podem ser encontrados na internet. A grande diferença é que provavelmente não serão encontrados na mídia convencional e, desta vez, não poderemos culpar o governo porque eles também não saberão o que fazer com esse colapso. A permanência da espécie humana depende de nós mesmos. Uma profecia indígena dos Estados Unidos (Hopi) diz: ”Nós somos aqueles por quem estávamos esperando”.

 

Para saber mais sobre esse projeto acesse o link La Naranja Orgânica

la-naranja-organica

 

Rafael Loschiavo

Redação Ecoeficientes

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