Simon Velez – Bambu

Nascido em Manizales, na Colômbia, em 1949, Simon Velez tornou-se um dos arquitetos mais importantes do mundo ao promover o uso do bambu como um elemento essencial da construção. Completou seus estudos na Universidade de Los Andes, em Bogotá, e sempre sentiu-se fortemente atraído pelo estilo arquitetônico modernista de Le Corbusier e as experimentações propostas pela Bauhaus. Além destas referências, com que fez contato na universidade, Velez aproximou-se fortemente também de outras fontes, como a arquitetura indígena, o uso de materiais tradicionais e a presença da diversidade cultural nas ruas da Colômbia.

Em uma carreira iniciada há aproximadamente, 40 anos, o arquiteto acabou por desenvolver novos sistemas que utilizam o Bambu – Guadua uma planta nativa das florestas andinas da Colômbia de crescimento muito rápido. A espécie está adaptada para uma vasta variedade de climas, atingindo 15 metros por ano, de desenvolvimento e de resistência aos 4 anos de maturação. O seu cultivo e processamento é ecologicamente sustentável e é uma das melhores plantas para absorver o dióxido de carbono da atmosfera. Velez utiliza este tipo de bambu como elemento estrutural permanente em edifícios, residências e espaços comerciais.

Com seu parceiro Marcelo Villegas, o arquiteto colombiano  inventou novos métodos e novos sistemas de apoio estrutural, transformando o material em um recurso moderno e flexível que pode ser usado em todos os tipos de edifícios e tem uma boa resistência sísmica, graças à sua elasticidade, além de ser bastante leve para o transporte.

A diversidade de projetos é outra marca do trabalho de Velez. O arquiteto já projetou edifícios de bambu em mais de 11 países e, em dezembro de 2009 recebeu o Prêmio Prince Claus Award, como reconhecimento por seu trabalho e criatividade.  Seu trabalho consiste em diferentes tipos de edifícios, dentre os quais destacam-se a Igreja em Pereira, na Colômbia, o Nomadic Museum Zócalo na Cidade do México, uma pousada de ecoturismo nas montanhas de Nankun, China, uma loja baixa energia em Girardot, na Colômbia e ZERI Pavilhão para a Expo 2000, em Hannover, na Alemanha.

Neste último, o arquiteto projetou e construiu um pavilhão de 2.000 m2 para a Fundação ZERI (Zero Emissões de Pesquisa e Iniciativa), uma estrutura de bambu, concreto reciclado, cobre e uma mistura de argila, painéis de fibra de cimento, também Bamboo. Foi a primeira vez na história que uma estrutura deste material recebeu uma licença de construção na Alemanha e, com 6,4 milhões de visitantes, tornou-se o mais popular pavilhão da exposição.

Há alguns anos, Velez participou do projeto de Crosswaters Eco-lodge, nas florestas da Reserva Nankun Shan, nas montanhas da China. Este é o primeiro projeto comercial usando bambu como o principal componente estrutural escala em toda a Ásia, recebendo o prêmio da American Society of Landscape Architects 2006 – Análise e Planejamento Prêmio de Honra.

Um de seus projetos mais recentes é o Museu Nomadic Zócalo na Cidade do México, onde ele descreveu o trabalho de Gregory Colbert “Ashes and Snow”. Em 2010 fazia parte da Índia Pavilhão EXPO 2010 – Xangai, China, ao lado de Sanjay Prakash e Pradeep Sachdeva.

Velez chegou a definir-se como um arquiteto de coberturas: “Eu desenho a cobertura e, em seguida, o que vem por baixo. (…) A minha arquitetura é uma arquitetura tropical. Em um país onde chove muito, você tem que construir telhados com grandes saliências, como na arquitetura da China ou Indonésia. Aprender mais sobre a arquitetura na Indonésia foi algo radical para minha vida”, explica no livro Grow Your Own House. Ainda no livro, o criador afirma ainda que ficou encantado ao ver os enormes telhados de bambu indonésios, construídos sem qualquer restrição ou reserva.

E continua: “eu, influenciado pelo Modulor de Le Corbusier, sempre pensei que um teto ou um quarto não deveriam exceder uma certa altura. Mas, na Indonésia, as pessoas pobres constroem tetos de 10 a 15 metros de altura com as suas próprias mãos! É um afirmação cultural para criar algo importante, uma espécie de exibicionismo sem ser exibido”, completa Velez, estupefato.

Mas, apesar de toda a sofisticação presente em seu trabalho, é com certa simplicidade que enxerga e se posiciona no mundo. “Minha proposta como um arquiteto é fazer a arquitetura um pouco mais vegetariana, não muito concreto, mas não é totalmente vegetariana. Devemos ter uma dieta equilibrada mineral e vegetal, e são muitos minerais com a arquitetura “, explica.

 

* Fotos Via LaPatria.com / ElPais.com / Flickr Usuário: BBC worldservice

Referências: Plataforma Arquitectura / Prince Claus Award / Gregory Colbert

 

Arq. Rafael Loschiavo

Redação Ecoeficientes

 

 

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